ANOTAÇÕES SOBRE O JUGO DESIGUAL

É bem certo que o tema sobre a questão do relacionamento amoroso entre um cristão e um não cristão já é meio polêmico, além de interessar muitos adolescentes e jovens cristãos. Uns por curiosidade, outros por já estarem em um relacionamento amoroso desse tipo.

Antes de falar sobre tal assunto, é necessário compreender que a máxima “não é correto que um cristão relacione-se com um não cristão” não é uma imposição eclesiástica, ou seja, não existe aquela história: “não namoro com alguém que não é crente só porque a igreja não deixa.” Isto simplesmente não existe! A igreja, enquanto instituição, não possui poder algum de mandar nada sobre ninguém. A igreja não proíbe que um cristão relacione-se com um não cristão, até porque as pessoas não são propriedade da igreja. Não estou dizendo que, por isso, é lícito tal relacionamento! “Tudo me é licito, mas nem tudo convém fazê-lo”, já dizia o apóstolo Paulo. O que isso significa? Significa que na vida cristã não há proibições e nem regras ortodoxas e paradigmáticas, mas bom senso e obediências às Sagradas Letras! O posicionamento contrário ao jugo desigual (ou relacionamento misto) é uma ordenança bíblica! É a Palavra de Deus, inerrante, sábia, a única instrução de fé e conduta de um salvo, as instruções divinas para o ser humano, que adverte acerca do risco do jugo desigual. Quem é realmente um servo de Deus, sabe que é necessário obedecer a Bíblia, que são as ordenanças do próprio Deus e apenas isto importa. Vamos analisar as Escrituras e compreender o que a Bíblia fala acerca do casamento misto.
A primeira referência sobre o casamento está no Pentateuco, no livro de Deuteronômio e fazia parte das leis mosaicas. Veja:

“Quando o Senhor, teu Deus, te introduziu na terra a qual passas a possuir, e tiver lançado muitas nações de diante de ti, os heteus e os girgaseus e os amorreus e os cananeus e os ferezeus e os heveus e os jebuseus, sete nações mais numerosas e mais poderosas do que tu; e o Senhor, teu Deus, as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás, não farás com elas aliança, nem terás piedade delas; nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para seus filhos.”
(Dt. 07: 01 – 03)

A mesma recomendação encontramos em Ex. 34: 10 – 17. Tais palavras são as instruções do próprio Deus. Resumindo-as, Deus ordena que o seu povo não se case com as nações vizinhas. O próprio Deus é quem as ordena. Mas por quê? A resposta está no versículo seguinte:

“(…) pois elas fariam desviar teus filhos de Mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós outros e depressa vos destruiria.”
(Dt. 07: 04)

Aqui está a grande questão: Deus argumenta a sua ordenança, afirmando que caso o povo se relaciona-se com as “sete nações mais numerosas e mais poderosas”, havia o risco do povo ser influenciado pelos seus deuses e esqueceriam o Deus verdadeiro, idolatrando os falsos. Apesar de a ordem ser antiga, não deixa de ser bastante atual, não?!
A preocupação de Deus ao exigir do povo fidelidade, era evitar que este se enveredasse para o lado de lá é da vontade do próprio Deus que os Seus servos não se relacionem com heteus, cananeus e etc, pois acabariam se esquecendo do Pai. Há uma chance muito grande de cristãos que estão em um relacionamento de jugo desigual, simplesmente abdicarem a fé. Mesmo que isso às vezes não ocorra, mas não são fatos isolados, não é regra.
Conta-se uma história que certa vez uma garota cristã que namorava um não cristão procurou Charles Spurgeon para conversar sobre, dizendo que em tal relacionamento havia a possibilidade de ela levá-lo a Deus. Charles então pediu à garota que ela se colocasse sobre uma mesa próxima e em seguida pediu que ela segurasse a mão dele a fim de levá-lo a mesa. É óbvio que ela não conseguiu. Spurgeon, que estava sob a mesa, então a puxou e facilmente a jogou no chão. Qual é a mensagem? A chance de ser influenciado é bem mais alto. Por quê? Porque todos nós vivemos em uma natureza caída, já extremamente dominada pelo pecado onde é enfrentada uma luta diária entre o espírito e a carne e no relacionamento amoroso onde há jugo desigual, somos facilmente lavados e até mesmo enganados pela emoção, desejo e sentimento e estamos imunes.

A privação do jugo desigual é uma prevenção divina contra adultérios de nossa parte contra o Pai Celestial.
Mas não acaba por aqui. Neemias, o homem escolhido por Deus para a reconstrução do muro de Jerusalém, ao chegar ao povo de Deus e se deparar com o casamento misto revoltou-se:

 “Vi também, naqueles dias, judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas. E seus filhos falavam meio asdodita e não podiam falar judaico, senão segundo a língua de cada povo. E contendi com eles, e os amaldiçoei, e espanquei alguns deles, e Ihes arranquei os cabelos, e os fiz jurar por DEUS, dizendo: Não dareis mais vossas filhas a seus filhos e não tomareis mais suas filhas, nem para vossos filhos nem para vós mesmos. Porventura, não pecou nisso Salomão, rei de Israel, não havendo entre muitas nações rei semelhante a ele, e sendo amado de seu DEUS, e pondo-o DEUS rei sobre todo o Israel? contudo, as mulheres estranhas o fizeram pecar. Dar-vos-íamos nós ouvidos, para fazermos todo este grande mal, prevaricando contra o nosso DEUS, casando com mulheres estranhas? Também um dos filhos de joiada, filho de Eliasibe, o sumo sacerdote, era genro de Samba late, o horonita, pelo que o afugentei de mim. Lembra-te deles, DEUS meu, pois contaminaram o sacerdócio, como também o concerto do sacerdócio e dos levitas.”
(Ne. 13: 23 – 29)

Curiosa é a reação de Neemias, não?! A Palavra diz que Neemias espancou e também arrancou os cabelos de muitos por causa do jugo. Imagine a cena! Neemias revoltou-se com o pecado do povo e lembrou ele acerca das instruções divinas. O povo havia desobedecido a Deus e isso incomodou Neemias demais.
Ok. Já vimos o que Deus pensa sobre tal tipo de relacionamento, mas qual são as suas consequências, se mesmo assim, optarmos por tal caminho?
O filho de Davi, o rei Salomão, foi o homem mais sábio e rico do planeta (no primeiro quesito ele só perde para Cristo), porém o capítulo 11 de 1Rs revela que Salomão perverteu-se amando as mulheres dos povos que Deus ordenou que não fosse feito qualquer tipo de relacionamento. A Bíblia diz que Salomão esqueceu-se do Senhor, tornando-se um idolatra gigantesco. Resultado? Salomão e também o seu reinado caíram em ruína. Concretização do já exposto.
Mas, e se mesmo sendo fiel, conhecendo a vontade de Deus para a vida, o que fazer se bater o sentimento pelo incrédulo (a)? “Enganoso é o coração mais que todas as coisas”, diz a Palavra. Como já foi afirmado, estamos em uma natureza perversa longe de Deus e de certa forma, tal natureza ainda reside em nós de maneira bastante minúscula, isso por que Deus habita em nós renovando a nossa mente, logo a nossa vontade é cativa à vontade de Deus. Se o desejo pelo (a) descrente surgir é preciso avaliação: O que Deus pensa sobre isto? Quem é realmente a pessoa? Será que eu ganharei alguma coisa com? O coração é enganoso e pode nos lançar, por isso é necessário compreender a vontade de Deus, meditando em Sua Palavra e o buscando através da oração. Se colocarmos Deus como centralidade em nossa vida e vermos o que no cerca com os Seus olhos, separemos o bom do ruim. O pecado, aquilo que desagrada a Deus, nos separa d’Ele (Rm. 03: 23). Queremos nos afastar de Deus? Por isto, é preciso levar os princípios de nosso Deus totalmente a sério, concretizando-os em nossas vidas em nossas práticas diárias convertendo os nossos sentimentos, ações e palavras a Deus.

Como é possível notar, a recomendação divina acerca do jugo desigual é algo já bastante primórdio. Tal recomendação faz parte do desejo de vida para a nova criatura. Não é proibição de igreja. É ordenança do próprio Deus. Podemos experimentar e cair no jugo sob nossos próprios ideais ou então seguir e certeira e também perfeita lei divina. Amar a Deus implica em obedecer ao Seu plano divino e abandonar as práticas que Lhe desagradam.

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